É sabido que o nosso mercado imobiliário do arrendamento é uma vergonha: Por um lado temos rendas de valor absurdo e fora de questão para que um pequeno investidor possa tentar a sua sorte, por outro lado temos milhares de rendas baixas que não permitem ao senhorio fazer sequer uma refeição decente pelo menos por um dia. São cerca de 40% de impostos que recaem sobre o senhorio e ainda os inquilinos querem que este faça obras de conservação.
Resultado da má política do governo. Por isso Portugal cai e vai continuar a cair, pois os centros históricos portugueses estão desertos, sejam de moradores, estudantes e cada vez mais o comércio fecha as suas portas. É a desertificação.
Por outro lado, os senhorios não têm qualquer apoio do estado e das entidades bancárias. As ajudas dadas para a recuperação dos centros históricos são uma verdadeira anedota, apenas convida o senhorio ao endividamento, sem falar que os fracos apoios são temporários.
Segundo as notícias do Diário económico e Jornal de Notícias:
Com todos os imóveis reavaliados no espaço de pouco mais de um ano, para efeitos de IMI, os proprietários de casas com rendas anteriores a 1990 vão passar a pagar mais imposto.
A partir daí cai por terra aquele que era o principal factor de bloqueio para a utilização, por parte dos senhorios, do mecanismo de actualização de rendas: o receio de pagarem mais impostos. Se têm a parte má, os proprietários vão querer também a parte boa.
Porém, os proprietários exigem uma actualização de rendas mais célere e "livre" do que a que está prevista na actual lei e o memorando de entendimento da troika vai nesse sentido.
Resta saber se esta situação vai melhorar as vidas dos Senhorios e inquilinos, esperemos que sobre o agravamento das taxas tributárias, os senhorios possam ter uma renda digna e os inquilinos uma casa com mais condições e aqueles que não usufruem do bem imobiliário tenham a decência de devolverem sem ser em troca de dinheiro pela “porta do cavalo”.
O NRAU talvez assim funcione, espero que não seja só o proprietário a pagar as contas, muitos dos inquilinos têm casas arrendadas por bom dinheiro e habitam casas onde pagam pouca renda. Cada caso é um caso, mas muitas das casas encontram-se abandonadas e servem apenas para guardarem monos. Estas residências não são entregues ao senhorio devido as baixa rendas. Como pode o senhorio recuperar um imóvel de baixa renda, quando ele paga cerca de 40% do valor arrecadado em impostos? E não estamos a falar de seguros, pois a maioria dos proprietários já se deixaram disso. Outra situação e que há senhorios que pagam mais de contribuição do que o valor que arrecadam. Com este sistema têm perdido Portugal, o turismo, a arrecadação de mais impostos e acentuado a degradação e desertificação dos centros históricos.
Outra notícia
NRAU (Novo Regime de Arrendamento) que possibilita a actualização progressiva das rendas antigas não dava jeito aos senhorios.
Aplicar o NRAU implicava para os senhorios actualizar o IMI (imposto sobre imóveis) ou a realização de obras de reabilitação, o que não lhes agradava. Assim, a pressão dos senhorios e das suas organizações para uma total liberalização que lhes permitisse despejar os inquilinos por impossibilidade de pagamento das rendas especulativas no actual mercado.
Os senhorios na sua maioria não têm dinheiro para investir, facto que agrava muito a situação da reurbanização e da recuperação de telhados e fachadas, para isto é necessário o endividamento dos mesmos e na maior parte daqueles que conseguem é pelo crédito pessoal onde se paga grandes juros e o tempo é limitado, sem, falar que é um investimento sem retorno.
Os bancos não querem fazer empréstimos com valores mais baixos para aplicar em casas velhas, pois eles sabem quais são as consequências de quem não consegue pagar o que deve e que casas penhoradas eles têm muitas e novas.
Esperemos que a Troika consiga dinamizar Portugal já que os nossos políticos não foram capazes.